quarta-feira, 8 de maio de 2013

Maradona, El Pibe de Oro

Como o título da postagem deixa claro, hoje vamos falar sobre Diego Armando Maradona, um jogador famoso por seu futebol e por suas polêmicas extra-campo. Vamos procurar forcar o máximo possível no talento do argentino com a bola nos pés e deixar outras questões em segundo plano.

Como já foi feito em outras ocasiões esse post será dividido em duas partes, mas antes de começar gostaria de deixar alguns canais nos quais podem ser encontrados vídeos que eu não postei aqui. A propósito, se alguém não estiver disposto a assistir todos os vídeos, eu recomendo que priorizem os da Copa do Mundo de 1986, o melhor momento de Maradona.

R9 God Magic (tem muitas partidas de Maradona) : http://www.youtube.com/user/R9godmagic
Memo (diversar compilações de jogadas): http://www.youtube.com/user/memo5404
Warlock (algumas compilações, algumas partidas): http://www.youtube.com/user/warlock7885
Vegan (compilações de assistências): http://www.youtube.com/user/Vegan1011

1. Técnica e Estilo de Jogo

Alguns lances de Maradona

O vídeo dá uma ideia de como jogava Maradona. Seu estilo de jogo é bastante parecido com o de Roberto Rivellino, seu grande ídolo no futebol. Ambos eram canhotos (e raramente usavam a perna direita), extremamente habilidosos, tinha excelente visão de jogo e eram precisos nos passes, além de bons finalizadores (notadamente nas cobranças de falta). 

Diante de todas as semelhanças apresentadas, e dado que Maradona era mais habilidoso e marcava mais gols, acredito que um bom jeito de descrever o futebol do argentino seria dizer que ele é um "Rivellino melhorado", o que não quer dizer que o "Pibe de Oro" seja melhor que Riva em todos os fundamentos.


2. Carreira

No dia 20 de outubro de 1976, apenas 10 dias depois de completar 16 anos Maradona estreou no profissional do Argentino Juniors. Apesar de estar em um clube de pouca expressão, que até então nunca havia ganhado um grande título, Maradona rapidamente se destacou e em fevereiro de 1977 já fez sua primeira partida pela Argentina. Todavia acabou não participando da Copa de 1978, na qual seu país saiu campeão.

 
Alguns gols de Maradona no Argentino Juniors

Assistências e passes de Maradona no Argentino Juniors e no Boca

Em 1979 Maradona começava a despontar como um dos melhores jogadores da América do Sul e do mundo. Nesse ano ele foi artilheiro do Torneio Metropolitano e do Torneio Nacional, as duas principais competições do futebol argentino, marcou seus primeiros gols com sua seleção e venceu o Mundial sub 20, sendo eleito o melhor do torneio. Todo esse sucesso levou o jornal "El Mundo" e a revista "Guerin Sportivo" a eleger Maradona o melhor jogador da América e do Mundo, respectivamente.

No ano de 1980 Maradona repetiu as duas artilharias marcando ainda mais gols, levou o Argentino Juniors ao vice-campeonato no Torneio Metropolitano (até então o melhor resultado da história do clube) e mais uma vez ganhou o prêmio de melhor jogador da América do Sul do jornal El Mundo. Todo esse sucesso fez com que o Boca Juniors contratasse Maradona, que deixou seu primeiro clube sem nenhum título (mas, com o dinheiro de sua transferência, o Argentino Juniors montou um time forte e venceu torneios nacionais posteriormente).

Uma famosa assistência de Maradona, pela Argentina, em 1980

No Boca Juniors Maradona jogou apenas um ano, 1981, mas foi suficiente para que vencesse o Torneio Metropolitano, conquistando o primeiro título de sua carreira. Todavia o "Pibe de Oro" não venceria o prêmio de melhor jogador da América pela terceira vez, sendo desbancado por Zico e ficando em segundo lugar. Em 1982 o Barcelona compraria Maradona por 5 milhões de Euros, o que foi a transferência mais cara da história do futebol até aquele momento.

Antes de ir para o novo time, Maradona entraria em campo pela primeira vez numa Copa do Mundo, coincidentemente na Espanha. A Argentina contava com alguns jogadores campeões quatro anos antes, e agora estava reforçada pelo seu "Pibe de Oro". Após 2 vitórias e 1 derrota na primeira fase, os hermanos acabaram sendo superados pelo mágico time do Brasil e pelos italianos. Nessa partida Maradona sofreu com a dura marcação de Cláudio Gentile, que depois do jogo diria que futebol não era para bailarinas.

Apesar de não ter sido uma boa Copa para os argentinos, Maradona marcou seus dois primeiros gols em mundiais nessa partida contra a Hungria.

Maradona chegou ao Barcelona com a missão de tirar o time de uma má fase no Campeonato Espanhol: nas 20 temporadas anteriores o clube catalão havia vencido o torneio apenas uma vez. Diego acabou não conseguindo conquistar o troféu tão desejado, e teve sua passagem atrapalhada pela hepatite e por um carrinho que acabou quebrando seu tornozelo. Assim mesmo ele conquistou a Copa e a Supercopa da Espanha em 1983, além da recém criada Copa de La Liga, extinta anos depois. 

Maradona em ação contra o Real Madrid, na final da Copa do Rei

No ano de 1984 o Barcelona chegou novamente na final da Copa do Rei, mas perdeu para o Atlético de Madrid. Nesse jogo Maradona protagonizou uma briga generalizada e após o incidente deixou o clube, indo para o Napoli. Apesar de todos os problemas que teve, Diego ainda marcou 38 gols ao longo de suas duas temporadas na Espanha, além de diversar assistências e dribles, chegando a ser aplaudido pela torcida do Real Madrid em um clássico. 

Gols e lances de Maradona na temporada 82-83. 8:51, não é o único, lógico, mas que golaço.

Assistências e passes de Maradona no Barcelona

Com sua transferência para o Napoli, por 6,9 milhões de euros, Maradona quebrou, mais uma vez, o recorde de transferência mais cara da história do futebol. No clube italiano o craque argentino viveria os melhores momentos de sua carreira. Logo na temporada 84/85, sua primeira na liga mais forte do mundo, Maradona marcou 17 gols, recebendo logo em 1985 o prêmio de melhor jogador em atividade no país. Na temporada 85/86, Maradona conduziria o Napoli a terceira colocação no Campeonato Italiano.

Lances de Maradona na 84/85

Após essa boa campanha no Campeonato Italiano, Maradona ia jogar a competição mais importante de todas, a Copa do Mundo. Com um time mais forte do que quatro anos antes e o "Pibe de Oro" no auge de sua forma a Argentina passou da primeira fase na liderança do seu grupo, com 2 vitórias, 1 empate e 6 gols marcados, quatro através de assistências de seu camisa 10 e 1 marcado por ele, no 1 x 1 contra a Itália. 

El Diez contra a Itália em 1986

Logo nas oitavas de final a Argentina iria enfrentar um grande rival sul-americano, o Uruguai do craque Enzo Francescolli, o ídolo de Zidane (que inclusive batizou seu filho com o nome Enzo). Maradona fez mais uma grande partida, tendo um gol anulado e tomando parte na troca de passes que resultou no gol de Pasculli.

 
Lances de Maradona contra o Uruguai

Na sequência a Argentina teria de medir forças com a Inglaterra. Era a primeira vez que as duas seleções se enfrentavam desde a guerra das Malvinas, o que gerou uma grande expectativa em torno dessa partida. Após um primeiro tempo com certa superioridade da Argentina, veio o segundo tempo e Maradona decidiu marcando dois gols extraordinários. 

O primeiro saiu aos seis minutos da etapa complementar Maradona recebeu a bola perto do meio campo. Três adversários tentam roubar a bola dele, sem sucesso. Na meia lua ele passa para Valdano e a zaga inglesa corta para dentro da própria área. O "Pibe de Oro" pula em direção a bola, assim como o goleiro adversário, mas Diego consegue tocar a bola antes de Peter Shilton e o tira da jogada, marcando o gol. Esse gol já seria famoso sem o detalhe de que o toque que tirou Peter Shilton da jogada foi dado pela mão de Maradona.A infração passa despercebida pela arbitragem, e a Argentina está em vantagem. 

O primeiro golaço de Maradona no jogo

Apenas quatro minutos depois Maradona recebeu mais uma bola em posição próxima ao círculo central e gira, deixando dois marcadores para trás. A jogada continua e o "Pibe de Oro" efetua mais 3 dribles, até ficar cara a cara com Peter Shilton mais uma vez. O goleiro sai de sua meta e também é driblado. 2 a 0 para a Argentina. 

O famoso "gol do século".

Maradona continuaria sua espetacular Copa do Mundo contra a Bélgica, com mais um show, com direito a mais dois gols (o segundo sendo mais um golaço). 

Lances de Maradona contra a Bélgica

A Argentina estava na final, e teria pela frente nada menos que a Alemanha, que havia eliminado do a Itália, campeã da última Copa. Para tentar se proteger do craque argentino o técnico alemão designou Lothar Matthäus, a quem Maradona elegeu como seu maior adversário, para marcá-lo. A estratégia funcionou bem e o "Pibe de Oro" teve atuação bastante apagada em comparação aos jogos anteriores. 

Por alguma razão o blogger não está anexando o vídeo. Para ver os lances de Maradona na final, clique aqui.

Apesar da marcação implacável que sofreu, Maradona conseguiu se livrar de Matthäus em um lance, e foi suficiente para ele, entre dois adversários, fazer o lançamento para Burruchaga marcar o gol do título. Após a conquista do mundial Maradona recebeu diversos prêmios, como a Bola de Ouro da Copa do Mundo, o prêmio de melhor do mundo da revista World Soccer, o prêmio de melhor atleta do ano do jornal L'Équipe e muitos outros. 

De volta a Napoles, agora com o status de lenda do futebol mundial, Maradona continuou exibindo um grande futebol, levando o Napoli a vencer, pela primeira vez em sua história, o Campeonato Italiano, na época o mais forte do mundo. Ainda natemporada 86-87, para ratificar que o Napoli contando com seu camisa 10 era o melhor time da Itália, Diego conquista a Coppa Italia. 

A temporada 87-88 teria tudo para ser um sucesso ainda maior, pois a Napoli tinha um reforço de peso: Careca, formando-se a linha de ataque Ma-Gi-Ca (Maradona, Giordano e Careca). Todavia o time foi eliminado no início da Champions pelo Real Madrid e acabou perdendo o Italiano para o Milan de Baresi e Van Basten. Apesar disso Maradona foi o artilheiro daquele italiano, com 15 gols.

Gols de Maradona no Italiano 87-88

Assistências de Maradona no mesmo italiano

Na temporada seguinte a equipe napolitana chegaria até a final da Coppa Italia, mas seria derrotada pela Sampdoria. Teriam que se contentar também com o segundo lugar no Campeonato Italiano, vencido pela Inter. Mas haveria uma grande conquista para marcar a temporada: a Copa UEFA, um título continental, feito que clubes como Roma e Lazio nunca haviam conseguido.

 
Maradona em ação contra o Milan na 88/89

Maradona contra o Bayern na Copa Uefa. Vai parecer sarcasmo, mas apesar das duas assistências acho que ele não estava muito inspirado não.


A temporada 89/90 ficaria marcada por ser a última temporada completa de Maradona no Napoli, e por uma acirrada disputa pelo Campeonato Italiano com o Milan, que a essa altura era reverenciado como o maior time do mundo. A Napoli mais uma vez triunfou, e conquistou seu segundo Italiano. 

As assistências de Maradona, assim como seus 16 gols, foram fundamentais para a conquista da Napoli

Após essa campanha Maradona chegava a Copa do Mundo de 1990 consagrado a nível de clube e de seleção. Uma lesão afetou sua performance e ele não marcou nenhum gol na competição. Ainda assim foi o principal jogador argentino no torneio, e conseguiu levá-los ao vice-campeonato. Maradona receberia a bola de bronze da competição (apenas ele, Ronaldo, Pelé e Paolo Rossi estiveram duas vezes entre os 3 melhores de uma Copa). 

 Após eliminar o Brasil nas oitavas de final os argentinos passaram pela Yugoslávia nos penaltis (inclusive, Maradona desperdiçou sua cobrança), o mesmo acontecendo contra a Itália. Os três vídeos abaixo cobrem os principais momentos do "Pibe de Oro" no mundial de 1990.

Lances de Maradona na fase de grupos

Mais lances de Maradona, incluindo o jogo contra o Brasil, em que fez uma assistência com a perna direita.

Lances de Maradona no restante da Copa, incluindo a semifinal, em Napoles, na qual ele conclamou os napolitanos a torcerem a favor da Argentina, contra a Itália.


 Em 1991 o exame antidoping apontou que Maradona havia consumido cocaína, o que resultou no afastamento de Maradona do futebol, por 15 meses. Além disso surgiram outros escândalos envolvendo seu nome, que chegou a ser associado a Camorra, a máfia napolitana. Em meio a tudo isso Maradona deixou o Napoli e foi jogar no Sevilla, de onde saiu em 93, voltando para a Argentina, porém ele já estava bem acima do peso ideal e não se destacava mais como antes.

Mesmo assim Maradona foi convocado para a Copa do Mundo de 1994, e rapidamente recuperou a forma, voltou a jogar bem. Todavia para isso ele fez uso de uma substância proibida, a efedrina, e ,após a segunda partida da Copa,  foi suspenso do futebol por 15 meses. Maradona ainda jogaria pelo Boca Juniors, até finalmente se aposentar em 1997. Após sua aposentadoria, Maradona recebeu diversos prêmios, o mais famoso deles dividido com Pelé, de melhor jogador do século 20 segundo a FIFA.

 
Maradona marcou um golaço na Copa de 94

Assim como outros grandes craques, Maradona fez besteiras fora de campo, mas com a bola encantou tanto que nada vai fazer as pessoas esquecerem sua genialidade nos gramados. 

Maradona, el Pibe de Oro, em seus bons tempos de Napoli


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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como um Time Pequeno

Como havia escrito ontem a noite sobre Bayern e Barcelona, o assunto só seria concluído hoje. Agora escrevo enquanto assisto o Barça cair como um time pequeno. No último post havia dito que veríamos um confronto épico entre dois times tentando determinar qual deles era o melhor do mundo, mas foi um engano.

Se esperava um Barcelona forte, tentando defender seu título de time mais forte do planeta, sufocando o Bayern, buscando a virada quase impossível. Do outro lado, o clube alemão estaria pronto para defender sua vantagem com unhas e dentes, e, é lógico, tentar aumenta-la ainda mais. Para se ter ideia do quão distante disso o jogo em curso está sendo, enquanto eu redigi o primeiro parágrafo, o Bayern fez dois gols.

Comecei a notar que minhas previsões estavam erradas quando vi a notícia de que Messi não começaria jogando. Oras, além de ter jogado na última quarta-feira, o melhor jogador do mundo entrou em campo na última rodada do espanhol, marcou um golaço, inclusive. Sendo assim, por que o técnico Tito Vilanova não escalou o craque argentino?

Bom, a primeira coisa em que poderia ser pensada é que a presença de Messi no banco de reservas se devia a lesão sofrida contra o PSG, da qual ele ainda não estaria recuperado. Não foi só isso. Nas quartas de final da Champions, quando o Barça precisou de um gol, a primeira atitude de Tito foi colocar o argentino no jogo. E na partida que acabou minutos atrás, se tinha uma coisa de que o clube catalão precisava era fazer gols. Então por que Messi não começou jogando?

O que aconteceu foi que o Barcelona não entrou pensando em fazer a melhor partida de sua vida e se classificar. O plano era o seguinte: começa o jogo, se conseguirmos um gol "achado" logo, passamos a ter uma chancezinha, aí colocamos o Messi e se der, revertemos o placar, caso contrário, ele nem entra, vai ser poupado.

Isso até poderia fazer algum sentido, mas dado que o Campeonato Espanhol está a 5 rodadas do fim, e que o Barça está na liderança com 11 pontos de vantagem, fica a pergunta: poupou o Messi para disputar o que? O que isso indica é que o Barcelona já entrou quase jogando a toalha.

Começou a partida e o que se viu foi o Barça quase inofensivo, tocando de um lado para o outro, mas sem criar uma chance clara de gol. Pelo contrário, quem chegou perto de marcar duas vezes foi o Bayern, mas Piqué desarmou Robben e Lahm quando estes estiveram cara a cara com Valdés. A jogada mais ameaçadora do Barcelona aconteceu quando Pedro chutou de longe, para fácil defesa de Neuer.

Acabou o primeiro tempo e a partida em que o Barcelona precisava de uma goleada histórica estava 0 a 0. E ainda assim o clube da Cataluña entrou no segundo tempo sem o seu principal jogador, alimentando a tese de que Tito não achava que valia a pena cansar Messi, e de que ele mesmo não achava que pudesse reverter a situação.

Logo no começo da etapa complementar, Robben recebeu pela direita e fez praticamente a única coisa que sabe, e que executa com grande perfeição: puxou para o meio e bateu de esquerda. O Bayern tinha agora a seu favor o placar agregado de cinco a zero. E aí o Barça continuou com a covardia iniciada ao não escalar Messi entre os titulares: Xavi e Iniesta, que diga-se de passagem não jogaram nada, foram substituídos.

O Barça havia definitivamente desistido de jogar, e o Bayern começou a tirar seus jogadores pendurados de campo, temendo que algum deles levasse um cartão amarelo e ficasse fora da final contra o Borussia. Assim mesmo houve tempo para Piqué marcar um gol contra após Ribéry fazer grande lance pela esquerda, e para Muller fazer 3 a 0 Bayern após mais um cruzamento do francês.

Depois disso o Bayern continuou jogando normalmente, com gritos de olé dentro do Camp Nou, e não houve mais nenhum lance importante, a não ser duas cabeçadas de Villa e Bartra, que passaram perto do gol defendido por Neuer.

O Bayern agora enfrentará o também alemão Borussia Dortmund na final da Champions, em Wembley, no dia 25 de maio. Como já havia dito ontem, considero o clube de Munique favorito.

Faço questão de deixar bem claro que o fato do Barcelona ter se comportado como um time pequeno não diminui em nada os méritos do Bayern, que joga um futebol espetacular.

Clique aqui para ver os melhores momentos do jogo entre Borussia e Real Madrid. O time de Mourinho, diferente do que fez o Barça, caiu como um time grande, lutando até o último segundo e quase revertendo a desvantagem de 3 gols.

Clique aqui para ver os gols da vitória do Bayern por 3 a 0 em pleno Camp Nou.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Mestre x Discípulo

E após quase quatro meses de inatividade estou finalmente escrevendo aqui. Senti falta do blog e acredito que alguns leitores devem ter sentido também. Não sei. Durante esse periodo estive ora sem inspiração, ora sem tempo para vir aqui emitir meus comentários. De hoje em diante quero voltar a postar com regularidade.

O assunto de hoje, que só será concluido realmente amanhã, são as semifinais da Champions League. Como muito tem se falado, no jogo de ida os clubes alemães venceram com autoridade os espanhóis. Apesar disso o Borussia Dortmund esteve a um gol de perder a sua classificação para o Real Madrid e amanhã o Bayern vai ao Camp Nou com a vantagem de poder perder por até 3 gols de diferença e ainda assim se classificar.

Não é que o jogo entre Real e Borussia seja desinteressante, mas eu vou preferir focar meus comentários no duelo entre Bayern e Barcelona. Esse jogo parece valer algo mais do que meramente a vaga na final da Champions, e, por mais que sempre possamos nos surpreender, arrisco dizer que quem passar nesse jogo será campeão (embora eu torça para o contrário).

Nas últimas 4 temporadas o futebol mundial viveu um período de grande domínio do Barcelona, que jogou com seu estilo Tiki-Taka e envolveu vários adversários, vencendo a Champions League 2 vezes e o Espanhol 3 vezes. É verdade que sofreu duas grandes derrotas exatamente nas duas vezes em que foi eliminado da maior competição da Europa, por Chelsea e Internazionale.

Todavia, a proposta de jogo de ingleses e italianos não foi superar os catalães, e, de fato, não chegaram nem perto disso, tanto que todos continuaram reverenciando o Barça como o melhor time do mundo mesmo após esses resultados. Isso porque o Barcelona foi vencido por times que jogaram conscientes de sua inferioridade técnica, buscaram a defesa quase exclusivamente, contaram com atuações bem destacadas de seus goleiros, e, em alguns momentos, com sorte, que não faz mal a ninguém.

Mas, enquanto isso acontecia, onde estava o Bayern? Na temporada 2008-09, quando o reinado do Barça começava, o Bayern foi mais um time destruído pelos espanhóis, sendo goleado por 4 a 0. Depois disso o time alemão venceu sua liga nacional uma única vez, e por duas vezes quase venceu a Champions, perdendo a final, justamente nos anos em que Chelsea e Inter venceram o Barcelona.

Lembre como Messi e cia. destruíram o Bayern há 4 anos

Essas campanhas de destaque na Champions nos fazem ver que enquanto o Barça dominava o mundo, o Bayern estava ali, próximo, tentando alcançá-lo, seguindo-o. E nessa temporada, enquanto o futebol do Barcelona caia de nível, o dos alemães ficava cada vez melhor, e já fazia com que alguns colocassem os dois times no mesmo patamar ou até apontassem que o Barcelona era inferior. 

Na última quarta-feira, vimos o Bayern atropelar o "melhor time do mundo", impondo um 4 a 0 e sendo indiscutivelmente superior, com direito a gritos de "olé" da torcida alemã. Há 10 anos o clube catalão não perdia por esse placar. O resultado pode indicar que após 4 anos tentando alcançar o Barcelona o Bayern finalmente o superou e agora está pronto para tomar para si o posto de melhor time do mundo. A confirmação disso pode vir em algumas horas. 

Claro, embora não seja muito provável, o Barcelona pode sim reverter esse placar. Nas últimas 4 temporadas, o Barça marcou 4 gols ou mais em 84 partidas, e nada garante que 85ª não será hoje. Não dá para duvidar da capacidade do time de Messi, Xavi e Iniesta, que já goleou tantos adversários.

Durante esses anos, o Barcelona foi o mestre do bom futebol. Todavia, agora parece já estar desgastado pelo longo período no topo (é difícil se manter em cima durante tanto tempo) e até seria possível dizer que a motivação do grupo já não é a mesma. Já o Bayern, se apresentou sempre como o discípulo número 1 do Barça, tentando ao seu jeito, superar seu professor.

O que veremos logo mais será o confronto épico entre o velho mestre e seu melhor discípulo, medindo forças para determinar quem é superior a quem.

Veja como o Bayern dominou o Barcelona na quarta-feira passada.







quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Mané Garrincha, a Alegria do Povo

Hoje vamos falar sobre Mané Garrincha, um gênio, um driblador sem igual que em toda a sua vida perdeu apenas uma partida pela Seleção Brasileira, contra a Hungria em 1966, e mesmo assim não é valorizado pela imprensa como merece. Abaixo um vídeo com lances incríveis do eterno Mané.

15 minutos de Garrincha. Boa parte dos lances nesse vídeo aparecerão novamente depois.

Manoel dos Santos, mais conhecido como Mané Garrincha, nasceu em Pau Grande, numa família de 15 irmãos. Sua perna direita era 6 centímetros mais curta que a esquerda, e ambas eram tortas, mas assim mesmo resolveu ser jogador de futebol. O começo foi difícil; Flamengo, Vasco e Fluminense não abriram as portas a Mané por causa de suas pernas.

Garrincha procurou o Botafogo em 1953 e rapidamente foi colocado diante de Nilton Santos, driblando-o repetidas vezes (teria até aplicado uma caneta) e o lateral pediu aos dirigentes do clube que contratassem o
Mané. Garrincha assumiu a ponta direita no Botafogo e rapidamente foi cogitado para a Seleção, mas acabou não sendo convocado para a Copa de 54.

Após mais alguns anos de grandes atuações Garrincha conquistou seu primeiro Campeonato Carioca em 1957. Apesar da conquista o mais provável era que ele não participasse da Copa do Mundo de 1958, sendo Júlio Botelho (Julinho), jogador da Fiorentina e Joel do Flamengo os mais cotados para sua posição.

Julinho acabaria recusando o convite da CBD para participar do mundial e o Mané pôde participar da competição.  Durante a preparação da Seleção para a Copa, Garrincha marcou um de seus gols mais famosos, após driblar 2 jogadores da Fiorentina, driblou também o goleiro e ao invés de chutar, driblou novamente um dos defensores que voltou para tentar impedí-lo de marcar e entrou com bola e tudo no gol.

Lance genial, certo? Sem dúvidas, mas além de habilidade o Garrincha demonstrou uma falta de seriedade da qual a comissão técnica da seleção não gostou e ele acabou não participando das duas primeiras partidas do Brasil na Copa.

Conclusão do golaço de Mané contra a Fiorentina, em 1958

O Brasil chegaria ao terceiro jogo com alguma chance de cair na primeira fase da competição, caso perdesse, e o jogo era contra um dos favoritos ao título: a União Soviética. Atendendo a pedidos de outros jogadores o técnico Vicente Feola mudou o time, colocando em campo, finalmente, Garrincha e Pelé, além de Zito.

O Brasil venceu a Rússia jogando uma partida lendária, principalmente nos primeiros três minutos (os melhores três minutos da história do futebol, como são geralmente chamados), em que Garrincha acertou a trave, e tocou para Pelé também acertar a trave, até que Vavá recebeu de Didi e abriu o placar. Vavá marcaria mais uma vez e o Brasil sairia com o 2 a 0. Seguem algumas frases sobre a atuação de Garrincha nesse jogo.

"Joel (inciou o mundial como titular) era um grande extrema. Mas Garrincha foi inigualável. Ele desmontou aquele esquema de ferro dos russos e desmoralizou a preparação científica de Moscou." - Bellini, zagueiro do Brasil em 58.
"Eu fazia o lançamento e tinha vontade de rir. O Mané ia passando e deixando os homens de bunda no chão. Em fila, disciplinadamente." - Didi, eleito o melhor jogador do torneio. 

Vídeo rápido falando sobre a atuação de Garrincha no jogo. "O resultado foi 2 a 0, mas o impacto de Garrincha no jogo foi muito maior."

O Brasil manteve Pelé e Garrincha no time para as quartas de final e venceu o País de Gales por 1 a 0, gol de Pelé. Mais uma vez Mané teve grande atuação, tanto que Mel Hopkins, seu principal marcador na ocasião diria: "Eu acredito que Garrincha era mais perigoso que Pelé na época, um fenômeno, capaz de pura magia."
Na semifinal o Brasil enfrentaria a França, que contava com Fontaine, artilheiro daquele mundial e Raymond Kopa que ganharia a Bola de Ouro naquele ano. Apesar disso o Brasil goleou por 5 a 2, com Pelé marcando três vezes e Garricha criando alguns gols pela ponta direita (incluindo o belo passe para Vavá abrir o placar). 

Lances de Garrincha contra a França (clique aqui para ser direcionado ao canal de onde eu tirei esse vídeo e outros).

O Brasil estava na final contra os anfitriões e começou perdendo graças ao tento de Liedholm, aos 4 minutos. Mas ali estava Garrincha, que ainda no primeiro tempo deixou Vavá duas vezes na cara do gol, e o centroavante não perdeu. O Brasil venceria com um novo 5 a 2, ganharia a Copa do Mundo pela primeira vez e Garrincha foi escolhido para a seleção do torneio.

Lances de Garrincha contra a Suécia.

Em seu retorno ao Rio de Janeiro Garrincha conquistaria seu segundo Campeonato Carioca em 1961 além do Torneio Rio-São Paulo de 1962 e  mais alguns títulos em excursões com o Botafogo pelo mundo, antes de chegar na Copa do Mundo de 1962. Nessa competição teria o melhor momento de sua carreira.

Garrincha teria uma boa atuação no primeiro jogo, mas nessa ocasião Pelé acabaria sendo o grande nome da partida com um gol e uma assistência. Na segunda partida da fase de grupos, um empate sem gols e o Rei se machucaria. Mané agora teria a responsabilidade de conduzir o Brasil ao título na condição de ator principal. 

Lances de Garrincha contra o México.

Melhores momentos de Brasil e Tchecoslováquia na fase de grupos. Aos 33 segundos um lance de gênio do Mané.

Novamente o Brasil chegava ao terceiro jogo da fase de grupos correndo o risco de ser eliminado, e dessa vez o adversário, a Espanha, saiu na frente. Mas o Brasil contava com o Mané para desmontar a defesa espanhola. Aos 41 minutos do segundo tempo, após uma grande jogada, Garrincha cruzaria para Amarildo, substituto de Pelé, virar o jogo.

Garrincha contra a Espanha.

Nas quartas de final o Brasil enfrentaria os inventores do futebol, os ingleses. O que o Garrincha fez nesse jogo foi incrível, talvez tenha sido a melhor atuação da carreira dele ou até a melhor partida que qualquer atleta já jogou em uma Copa do Mundo. O placar foi 3 a 1 para o Brasil, com dois belos gols de Garrincha, tendo o outro gol sido marcado por Vavá, no rebote de uma cobrança de falta do Mané.

Garrincha contra a Inglaterra. Simplesmente incrível.

Na semifinal seria a hora de enfrentar os anfitriões do torneio, o Chile. Garrincha deu outro show, marcou mais dois gols, sofreu um penalti (não marcado) e cobrou o escanteio que resultou no terceiro gol do Brasil. Apesar da grande atuação, o Mané acabou sendo expulso por dar um pontapé em um adversário.

 
Outra grande atuação do gênio das pernas tortas.

Após esse jogo o jornal chileno "El Mercurio" exibiu uma manchete perguntando "De que planeta Garrincha veio?" Mas havia um problema: Mané não poderia jogar a final contra a Tchecoslováquia, pois havia tomado um cartão vermelho no jogo anterior. Após um julgamento um tanto quanto estranho a FIFA permitiu que Garrincha atuasse na final. 

Posto que não jogou mal, o gênio das pernas tortas entrou em campo com uma febre de 39 graus e acabou não sendo tão produtivo como nos dois jogos anteriores. Todavia sua simples presença em campo já era suficiente para que vários adversários estivessem marcando-o e isso abria mais espaço para outros brasileiros. O resultado foi a vitória por 3 a 1, trazendo o bicampeonato para o Brasil. Obviamente Garrincha foi eleito o melhor jogador da Copa.

Lances de Garrincha na final de 1962.

De volta ao Brasil o Mané venceria, ainda em 1962, o Campeonato Carioca pela terceira e última vez, tendo uma atuação marcante na final, um três a zero contra o Flamengo, dois gols dele. Esse jogo foi um divisor de águas na carreira de Garrincha, ao ponto de muitos especialistas afirmarem que essa foi a última grande atuação dele. 

A partir daí sua carreira declinou por causa de seus problemas com o álcool e de uma lesão no joelho que continuou comprometendo o desempenho do Mané mesmo após uma cirurgia, a qual foi submetido em 1964 (nesse ano ele venceu o Torneio Rio-São Paulo). Em 66 Garrincha, após 614 jogos e 245 gols pelo Botafogo, foi para o Corinthians, mas acabou tendo uma passagem decepcionante, com dois gols em treze jogos. Apesar disso ele ainda jogaria a Copa do Mundo pela terceira vez em 1966.

No primeiro jogo desse mundial o Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0, com gols de Pelé e Garrincha, ambos de falta. Seria o último gol do Mané pela seleção.

Garrincha contra a Bulgária. Ele não era mais o mesmo, mas teve alguns bons momentos e marcou um golaço.

Pelé novamente se machucou, o Brasil chegou ao segundo jogo contra a Hungria sem o Rei e acabou derrotado. Foi a única derrota de Garrincha pela Seleção em 60 jogos (50 oficiais), tendo ele marcado 17 gols (12 em partidas oficiais).

Lances de Garrincha contra a Hungria. Apesar de não estar bem fisicamente ele criou alguns problemas contra um adversário forte.

Pela terceira vez seguida o Brasil chegava ao último jogo da fase de grupos com o risco de ser eliminado, mas dessa vez não tinha o Mané em campo. A Seleção acabaria eliminada no jogo contra Portugal e essa seria a nossa pior campanha em Copas.

Após o mundial de 1966 Garrincha teve passagens rápidas por alguns clubes como Flamengo e o Red Star (França), até encerrar sua carreira no Olaria. Nesse clube marcou seu último gol contra o Comercial em 1972. Em 1973 Garrincha recebeu uma merecida homenagem, um jogo de despedida com a seleção brasileira, que enfrentou a Seleção do Mundo e venceu por 2 a 1.

Mané aos 40 anos se despede do futebol. Mesmo longe de seu auge ainda teve alguns lances divertidos.

Garrincha faleceu pobre em 20 de janeiro de 1983 com apenas 49 anos de idade por causa de seus problemas com o álcool.. Um dia depois Carlos Drummond de Andrade escreveria o trecho abaixo a seu respeito.

"Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é, sobretudo, irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incubidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

Garrincha cercado por oito adversários. Pobres marcadores.

Garrincha, o Charles Chaplin do futebol, o anjo das pernas tortas, o eterno Mané. Um dos maiores futebolistas que o mundo já produziu. Certa vez li a frase com a qual concluo esse post.

"Pelé e outros aprenderam a jogar futebol, Garrincha nasceu sabendo." 







terça-feira, 8 de janeiro de 2013

4 Vezes Messi

O craque argentino Lionel Messi conquistou pela quarta vez consecutiva o prêmio de melhor do mundo, mais um recorde. Esse feito alimentou discussões: alguns já dizem que Messi é o maior da história, outros falam que ele não merecia o prêmio.
Bom, eu acho que o Messi mereceu sim a Bola de Ouro, mas não o considero o melhor jogador de todos os tempos.
Em 2012 Messi jogou muito pela Argentina e quebrou o recorde de gols marcados em uma temporada europeia por clubes com o Barcelona, além de ter sido artilheiro da Champions League pela 4ª vez seguida. Não satisfeito o argentino ainda fez mais assistências do que os colegas de time Xavi e Iniesta juntos. Eu sei que apesar de tudo isso Messi ganhou só um título, a Copa da Espanha, mas o prêmio entregue ontem é individual, não coletivo. Poderia ter sido mais decisivo? Sim, sem dúvidas, mas mesmo assim acho que ninguém foi melhor que Lionel Messi em 2012.

Os 91 gols oficiais de Messi em 2012. Recorde? Não diria, mas falamos disso depois.

Sobre ser o maior jogador da história, eu acho que não, mas antes de falar algo vale a pena lembrar que essa discussão é bem inútil. Mas será que 4x Melhor do Mundo significa que ele é o melhor que já existiu?
As 4 Bolas de Ouro mostram consistência ao longo dos anos, ou seja, revelam que ele consegue se manter no topo contra os jogadores de sua geração por um bom tempo. Aliás, consistência tem a ver com a maior virtude do argentino, aquilo que o faz mais especial, na minha opinião.
Em termos técnicos acho que alguns jogadores na história do futebol fazem frente a Messi, mas ele tem algo que me impressiona mais do que sua capacidade de correr com a bola colada no pé. É que em todo jogo ele entra com uma necessidade de marcar gols e jogar bem que a maior parte dos jogadores passados só tinha em ocasiões especiais, como uma Copa do Mundo. Mas Messi parece jogar cada partida como se fosse uma final de Copa.
E Messi está passando isso aos seus contemporâneos. A média de gols dos grandes atacantes da Europa subiu, se comparadas com os números de 10 anos atrás e não por uma questão de habilidade (Van Persie e Huntelaar chegaram a ter médias melhores do que Henry e Shevchenko em seus melhores anos, mas os dois últimos são melhores jogadores, sem dúvidas). Isso porque todos estão tentando ser como Messi.
Até o Cristiano Ronaldo, que saiu do Manchester com média pouco superior a 0,4 gols por jogo logo em sua primeira temporada no Real Madrid ultrapassou 0,94 gols por jogo. É impossível que Cristiano tenha mudado tanto tecnicamente em menos de um ano, a questão é que ele passou a se esforçar mais para competir com Messi.

Eu não gosto dele, mas o Cristiano Ronaldo cresceu bastante nos últimos anos, e é sim um grande jogador. Mas acho que Messi sempre estará dois passos à frente dele.

Definitivamente Messi é um gênio, está gerando mudanças na maneira de jogar de vários outros atletas, e está sim entre os grandes da história, mas não acho que seja o maior. Pessoalmente quando penso no melhor jogador da história eu olho mais para a técnica dele do que para seus números e prêmios individuais, mas isso é pessoal. De qualquer modo eu acredito que Messi ainda vai crescer, vai quebrar mais recordes e vai superar os 91 gols que marcou esse ano. 
Na verdade, diferente do que acabou entrando no Guiness Book, um futebolista zambiano, chamado Godfrey Chitalu marcou 107 gols oficiais, o que supera os 91 tentos de Messi. Em todo caso acho que o argentino acabará superando também esse número nos próximos anos. 

Assistências de Messi em 2012

O que mais dizer sobre Messi? É um craque, está a frente de seu tempo e eu rezo para que nunca ganhe uma Copa do Mundo, já que é argentino. 

Messi, merecidamente o Melhor do Mundo pela quarta vez

Eu poderia continuar falando sobre outras premiações, como a de melhor técnico e o "Time do Ano", que sabe Deus o motivo só tem jogadores do Campeonato Espanhol, mas não vou fazer isso.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pelé, o Rei

Acredito que a maior parte das pessoas lendo isso cresceu ouvindo que Pelé é o maior jogador da história do futebol. Não acho que isso seja necessariamente verdade, pois a discussão de quem é o melhor jogador de todos os tempos, penso eu, é totalmente inútil.
É impossível saber, por exemplo, como Messi se adaptaria às condições da época de Pelé e vice-versa. Podemos tentar fazer previsões, mas ninguém tem uma bola de cristal para saber, com certeza, o que aconteceria se dois jogadores de épocas totalmente distintas fossem contemporâneos. Como eu já disse outras vezes, se me perguntarem quem é o melhor jogador da história, responderei Ronaldo, mas isso é muito subjetivo e a discussão é infrutífera.
De qualquer forma, não preciso achar que Pelé seja o melhor jogador da história do futebol para admirar sua genialidade em campo. Como já fizemos em outras ocasiões, vamos observar o nível técnico de Pelé primeiramente e depois, de modo rápido, ver como foi sua carreira no futebol.
Antes de colocar alguns vídeos, gostaria de deixar algumas dicas de canais no youtube com muitos vídeos do Pelé.
1. R9GodMagic: Canal com vários vídeos sobre diversos jogadores, incluindo alguns de Pelé)
2. 55brutackx: Canal praticamente dedicado com exclusividade ao Pelé
3. SirPeleForever: Idem ao segundo.


O vídeo acima contem 207 gols de Pelé. Eu nem precisaria falar nada, mas o que vemos no vídeo é incrível: tem gols de bicicleta, de cabeça, de falta, com o pé esquerdo, em grandes arrancadas, tem gol de todo jeito. Vemos também a superioridade física de Pelé frente a seus adversários.

Compilação de passes feitos por Pelé. Ele tinha uma grande visão de jogo e também era bastante preciso. Alguns acham que Pelé fez tantas assistências quanto gols, mas isso não é confirmado, uma vez que as assistências passaram a ser contadas recentemente.

Dribles de Pelé. Alguns gols aparecem aqui também. É interessante notar que ele utilizava sua perna esquerda para driblar.

Alguns dizem que devido a fragilidade das defesas naqueles tempos seria fácil fazer o que Pelé fez (eu já escutei isso). Digo o seguinte: se era fácil porque podemos contar nos dedos os jogadores daquela época com quem podemos estabelecer alguma comparação com Pelé?
Pelé era rápido, habilidoso, bom cabeceador, ambidestro, tinha uma grande visão de jogo e boa precisão nos passes. E tudo isso sem a estrutura que o futebol tem hoje, com bolas que poderiam ficar com muita água e pesar bastante em dias de chuva, sem falar que os zagueiros batiam muito. E apesar dessas adversidades, Pelé jogou o que jogou.

2. Carreira

Nota: Quando eu estava escrevendo essa parte, a palavra artilheiro estava aparecendo tantas vezes que eu resolvi colocar as artilharias separadas no final. Os números de gols em um ano apresentados, a menos que se fale o contrário, incluem jogos não-oficiais.  

Pelé estreou pelo Santos em 1956, jogando dois amistosos, contra o Corinthians de Santo André e o Jabaquara, respectivamente. Marcou uma vez em cada partida, apesar de na primeira ter apenas 15 anos. Nessa época o Santos contava com um grande time e começava a estabelecer um certo domínio no futebol paulista (havia conquistado seu segundo Paulista em 55 e repetiu a conquista em 56). Esse domínio se tornaria muito mais forte com Pelé.
Em 1957 o Santos não venceu o Campeonato Paulista (o que inclusive contradiz o que eu acabei de falar), mas com 16 anos Pelé foi o artilheiro da competição, marcando 20 gols. Sua performance rendeu a convocação para a Copa Roca, competição que serviu de inspiração para o atual Superclássico das Américas. Pelé marcaria um gol em cada jogo contra a Argentina e o Brasil venceria o certame.
No ano de 1958, Pelé marcou 58 gols no Campeonato Paulista estabelecendo o recorde de gols em uma única edição do torneio e sagrou-se campeão. Apesar disso, chegou como reserva na Copa de 1958, fazendo sua estréia na competição no terceiro jogo do Brasil, contra a União Soviética, assim como Zito e Garrincha.

Lances de Pelé contra a França em 1958

Compensando a falta de gols no primeiro jogo, Pelé marcou uma vez na vitória seguinte da seleção, contra o País de Gales, três na semifinal contra a França de Fontaine e Kopa e dois na final contra a Suécia, um deles aplicando um chapéu no zagueiro. Assim, Pelé recebeu a Bola de Prata do Torneio, tendo a de Ouro ficado com seu compatriota Didi, além disso, foi o vice artilheiro do torneio. O rei encerraria o ano de 1958 com 75 gols oficiais, um recorde pessoal.
Em 1959 Pelé venceria o Torneio Rio-São Paulo e seria artilheiro e melhor jogador da Copa América, em que o Brasil ficou com o segundo lugar. Ao final do ano chegou a 112 gols ou 127 se contarmos gols pelo exército e pela Seleção Paulista (mas contar gol no exército eu acho demais). Em 1960 venceria o primeiro de três Paulistas em série e encerraria o ano com 104 gols em 89 jogos. Essa marca seria melhorada em 1961, ano em que Pelé marcaria 62 gols em 38 jogos, contando apenas partidas oficiais e 110 gols em 74 partidas contando todos os jogos.

Pelé contra o Racing Club Paris, em 1960

O número de 1959, se incluirmos os gols pelo exército na contagem, é a maior quantidade de gols marcada por um futebolista em um ano que eu tenho notícia, superando até os 116 gols marcados pelo zambiano Godfrey Chitalu no ano de 1972, que incluem 107 gols em partidas oficiais (o que largamente supera a marca estabelecida por Messi esse ano). Acredito que a maior parte das pessoas lendo isso nunca ouviu falar de Chitalu, mas eu não estou inventando, se tiverem dúvidas do que estou dizendo, digitem "Chitalu" no google e pesquisem. 
Deixando de lado essa conversa sobre recordes, Pelé venceria em 61, além do Paulista, a Taça Brasil, ou, seguindo a unificação da CBF, Campeonato Brasileiro. Pelé entraria em uma série incrível de títulos a partir desse ano.
Em 62, viriam um Paulista, uma Taça Brasil, uma Libertadores, uma Copa Intercontinental (não estou diminuindo a conquista de ninguém, apenas acatando os órgãos oficiais, do mesmo jeito que fiz quando chamei a Taça Brasil de Campeonato Brasileiro) e uma Copa do Mundo. Nesse mundial, Pelé se machucaria na fase de grupos, mas veria o Brasil comandado por Garrincha sair vitorioso. Essas conquista, somadas à extinta Taça Oswaldo Cruz trazem um dado interessante a 1962: nesse ano Pelé venceu todas as competições que disputou.

Pelé contra o México, na Copa de 62

Em 63 viriam novamente a Taça Brasil, a Libertadores e a Copa Intercontinental, além de um Rio-São Paulo. Em 64 e 65 o Santos ganharia a Taça Brasil e o Paulista (em 64 ganhou ainda o Rio-São Paulo). Em 66 haveria tempo para um Rio-São Paulo dividido entre 4 equipes. Todas essas conquistas fariam com que Pelé chegasse à Copa do Mundo de 1966 com o posto de jogador mais famoso do planeta e com expectativas muito altas, já que além dele o Brasil poderia contar, entre outros, com Gérson, Garrincha e Jairzinho.
Pelé contra a Alemanha Ocidental em 1963

Apesar da ampla disponibilidade de craques, a preparação do Brasil para a Copa não foi a mais apropriada, tendo o técnico Vicente Feola chegado a trabalhar com uma equipe de 46 jogadores, sendo que apenas 22 viajariam. A Copa de 66 terminaria sendo o maior fiasco da história do Brasil nas Copas.
No primeiro jogo a seleção contava com Pelé e Garrincha, que juntos, nunca perderam uma partida pelo Brasil. O resultado foi uma vitória por 2 a 0, com dois gols de falta, um de Pelé e outro de Garrincha. Mas o rei saiu machucado de campo, graças às muitas faltas que sofreu, e por isso não atuou no segundo jogo, em que o Brasil foi derrotado pela Bulgária.
A partida contra Portugal, que contava com Eusébio, definiria o futuro do Brasil na competição, e dessa vez quem não jogou foi Garrincha. Pelé sofreu duras faltas durante o jogo e teve que permancer machucado em campo (só lembrando que na época não era permitido fazer substituições!) e o Brasil terminou perdendo e eliminado na fase de grupos. Após este torneio, Pelé decidiu que não voltaria a atuar em uma Copa do Mundo.

Pelé contra o River Plate em 1967

Quatro anos se passaram, Pelé ganhou mais alguns Paulistas, um Robertão (seguindo a unificação, Brasileiro) e algumas competições hoje extintas. O Brasil havia montado um grande time, com jogadores como Rivellino, Tostão e Gérson, e Pelé havia retornado à seleção. Com essa equipe, o Brasil chegou à Copa do Mundo de 1970 vencendo todos os seus jogos nas eliminatórias. 
E a seleção deu show! Venceu todos os 6 jogos no torneio e fomos os primeiros a vencer a Copa três vezes. Por sua performance, na qual marcou 4 gols e participou de muitos outros. Veja nesse vídeo, que só está disponível no dailymotion (por isso só posso colocar o link), alguns dos melhores lances de Pelé na Copa de 70.
O vídeo tem os dizeres (adaptação para o português, que eu fiz agora): O que importa não são seus gols, seus dribles ou seus passes. Por que Pelé é o rei de 1970 então? É que até seus erros eram puramente geniais.
Os 12 gols de Pelé em Copas em um minuto

Pelé recebeu a Bola de Ouro da Copa de 70 e se tornou o primeiro jogador a ser três vezes Campeão do Mundo, enquanto o técnico Zagallo passou a ser também tricampeão, mas com um de seus títulos conquistado como treinador.
Em 73, aos 32 anos e em meio a muitos craques, Pelé foi eleito o melhor jogador em atividade na América, ganhando mais um Campeonato Paulista. Também neste ano Pelé participou da despedida de Garrincha na seleção brasileira, e com Pelé e Garrincha em campo, mesmo o adversário sendo a Seleção do Mundo, o Brasil venceu por 2 a 1, com um golaço de Pelé.
Em 74 Pelé foi jogar no New York Cosmos, clube no qual marcou mais 64 gols e onde encerrou sua carreira no ano de 1977, vencendo a Liga Norte Americana naquela ocasião.

Lances de Pelé no Cosmos e Milton Neves elogiando o rei.


Principais Artilharias (Provavelmente, há mais artilharias em torneios menores)

Campeonato Paulista (11x): 1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1969, 1973. Incluindo 58 gols em 1958, recorde do torneio.
Copa Libertadores da América: 1965, com 7 gols.
Copa América: 1959, com 8 gols.
Taça Brasil (3x): 1961 e 1963, com 9 e 12 gols, respectivamente e 1964, dividindo com Gildo (CE), anotando 7 vezes
Torneio Rio-São Paulo: 1963, com 14 gols.
Copa Intercontinental (2x): 1962 e 1963, com 5 e 2 gols, respectivamente.

Pelé, o Rei

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Postagens Relacionadas

1. Pelé foi um gênio, reunindo todas as habilidades que um jogador que atua no setor ofensivo precisa ter. Mesmo assim muitos acham que Diego Maradona foi superior a ele. Clique AQUI para ler sobre o argentino e tire suas próprias conclusões sobre essa comparação.

2. Jogando com Pelé e Garrincha, o Brasil nunca perdeu uma partida. Clique AQUI para ler sobre o grande Mané.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Campeão do Mundo

Passou-se mais de um mês desde a nossa última postagem, e nesse período ocorreram vários eventos que mereceram posts, como a troca de técnicos da seleção e o título do Fluminense. Queria pedir desculpas por não ter escrito nada nesse período, estive muito sem tempo, mas hoje vamos retomar nossas atividades.
E, por uma grande coincidência, da qual eu gostei muito, meu segundo dia de férias caiu no dia em que o Corinthians foi campeão (pela segunda vez) do Mundial de Clubes da FIFA. Como esse título está sendo noticiado por toda a imprensa eu gostaria falar sobre alguns pontos interessantes dessa competição.

Como sempre acontece com os times europeus o Chelsea entrou com um certo favoritismo e aquela impressão de superioridade. Após a fraca atuação do Corinthians contra o Al Ahly, nas semifinais, a mídia inglesa teve certeza do resultado. Abaixo algumas frases de comentaristas da BBC.
“Eles (o Chelsea) vão despedaçar essas equipes se jogarem com a atitude certa”.
"Se o Chelsea for a final vai ser um passeio".
"Este Paulinho não jogou nada."
"Acho que o Chelsea não está vendo nada que vai preocupar."
A última frase foi dita durante a transmissão da semifinal vencida pelo Corinthians. É muito óbvio que todo esse falatório só serve de motivação para o alvo das críticas e que futebol se ganha dentro de campo, mas o pior é que eu tenho que admitir que, logo após a semifinal, eu mesmo via como baixas as chances de vitória do timão.
O Alessandro foi um guerreiro hoje, é um dos jogadores por quem eu tenho mais respeito no atual elenco do Corinthians, chegou ao clube quando estavamos na segunda divisão do brasileiro, tem uma história linda no timão. Mas eu achava que os comentário britânicos de que Hazard e Cole fariam um estrago muito grande por aquele lado faziam sentido. Eu fiquei com raiva dos comentários, estavam tratando o timão como uma equipe inferior, mas, embora não tenha deixado de acreditar nunca, não me parecia provavel um triunfo alvinegro.
 A situação mudou graças ao grande responsável por esse título: Tite. Sempre admirei a maneira como o Tite tem o grupo na mão, mas, taticamente ele me irritou em diversos momentos (só citando um rápido exemplo, ano passado, quando tirava o Willian todo jogo e eu achava que o rapaz tava jogando bem). Mas, dessa vez, o Tite acertou muito taticamente, acho que o timão não venceria se não fosse a entrada de Jorge Henrique no lugar de Douglas.
Eu nunca faria essa substituição (sequer cogitaria), pois o Jorge andou muito na reserva, pelo menos em tese estaria sem ritmo de jogo, além do mais não vinha em boa fase. Mas o treinador é quem acompanha o elenco e vê se o jogador está ou não em condições de atuar, e o Jorge, bem fisicamente, como estava hoje, fortalece muito a marcação justamente pelo lado do Alessandro.
Depois disso todo mundo viu o que aconteceu, o Corinthians jogou de igual para igual com o Chelsea (acho que jogou melhor, mas vou dar um desconto, vai que o clubismo está falando na minha análise), contou com uma atuação incrível de Cássio (a melhor atuação dele pelo Corinthians) e uma raça espetacular de todos os jogadores o Corinthians venceu por um a zero, gol do guerreiro Guerrero.


Acima o vídeo do gol. Sim, é verdade, o Corinthians não tem estrelas, mas que toque foi esse do Paulinho? E antes que alguém fale algo, ele tentou tocar para o Danilo, mas a bola foi curta e ele tentou correr de volta para ela. E o Danilo, bem, eu pensei, e todo corinthiano que acompanhou o time nos últimos dois anos deve ter pensado, "agora ele vai deixar os zagueiros sentados e fazer o gol" e naquela fração de segundo entre Danilo pegar a bola e driblar os zagueiros, lembrei dos gols contra São Paulo e Nacional
O gol acabou não saindo, mas a grande jogada do Danilo ocupou Guerrero, que estava no lugar certo, na hora certa, e tocou de cabeça para as redes.

Outro ponto a destacar é o show da torcida corinthiana, o que a torcida fez hoje nunca foi feito na história do futebol mundial. 30000 torcedores do Brasil para o Japão? Para a meia dúzia de pessoas que insistem em teimar com os fatos, que circulam na internet a informação de que apenas 8000 corinthianos estariam lá (o que já seria mais do que qualquer outro time levou), fica o vídeo abaixo.

Antes que alguém fale algo, mais 5000 fiéis foram para a final. Pena que eu não estava lá.

Finalizando, o Corinthians não é um dos melhores times do mundo olhando para o nível técnico, mas com certeza é o time mais raçudo do universo, e apenas isso é motivo de orgulho para todo verdadeiro fiel, juntando com a taça então, o corinthiano está no céu. 

Melhores momentos do jogo. Arnaldo, obrigado por impedir que eu tivesse um infarto (se ele não tivesse dito empedido, talvez eu não estivesse escrevendo isso).

Veja a festa do timão! Os europeus tentam minimizar o torneio, mas eles parecem bem decepcionados, não?

 Bi-Campeão Mundial!! Corinthians!!!


Nota: Não posso deixar de notar que o nosso site é muito pé quente, porque 4 dias após sua criação, meu timão ganhou a histórica Libertadores e estamos fechando o primeiro ano de nossa existência com a queda do Palmeiras (desculpe se algum palestrino estiver lendo isso, mas sou corinthiano) e o título mundial. Esse ano foi perfeito.