quinta-feira, 19 de junho de 2014

Velozes e Furiosos

A Espanha pode até não ter sido aquela Fúria que todos esperavam, mas tenho certeza que os seus jogadores estão bastante "furiosos" agora, já que a participação deles neste mundial será bastante veloz... Pois é, surpreendendo inclusive este que vos escreve, a tão temida seleção espanhola está eliminada da Copa.

Como cheguei a escrever aqui, eu acreditava na classificação da Espanha, mesmo após a goleada sofrida ante a Holanda. Muitas vezes uma grande derrota ajuda a renovar a motivação de um time, e era isso que eu esperava que acontecesse com a Fúria, levando-os a jogar bem novamente. Mas não foi bem isso o que aconteceu.

O Jogo


O Chile começou a mostrar que a Espanha teria problemas logo de cara. Com menos de dois minutos a Roja sul-americana já havia assustado duas vezes, em chute de Vargas e em cabeçada de Jara. Mas depois disso a Espanha passou a ter o controle da posse de bola, como tem sido de praxe nos últimos anos. No entanto as chances de gol eram escassas. 

Em contrapartida a equipe Chilena apostava nos contra ataques e na velocidade. Após passe errado de Xabi Alonso, os sul-americanos armaram uma jogada muito rápida: Sánchez deu um passe brilhante para Aránguiz, que tocou de calcanhar para Vargas, livre de marcação, tirar Casillas do lance e abrir o placar para a Roja. 

A situação da Espanha tornava-se complicada, mas se tornaria ainda pior. Após alguns minutos tentando criar uma chance clara de gol, que acabou não aparecendo, a Espanha sofreu novo contra ataque, e Sánchez foi parado com falta. Ele mesmo cobrou e Casillas defendeu mal, dando rebote para o meio da área. Aránguiz pegou a sobra e acertou um belo chute. O Chile tinha a vantagem de 2 a 0.

A Espanha voltou para o segundo tempo disposta a tentar a reação, e quase descontou logo no início da etapa complementar. Diego Costa cruzou de bicicleta e Busquets, quase dentro do gol, chutou para fora. Seria a melhor chance da Fúria.

A sequência do jogo foi quase uma repetição do que aconteceu no primeiro tempo: a Espanha tinha a bola, chegava com certo perigo, mas o Chile criava as melhores chances de gol, no contra ataque. A única diferença é que na segunda etapa a Roja sul-americana não conseguiu ampliar o placar. Essa situação se prolongou até o final do jogo, sem que a Fúria conseguisse criar mais do que alguns chutes de fora da área, e o placar seguiu 2 a 0 para o Chile, decretando a eliminação da Espanha. É a primeira vez que um campeão mundial está matematicamente eliminado da Copa em apenas dois jogos.

Aqui estão os gols do Chile, que levaram à eliminação da Fúria.

Análise


Quanto ao que aconteceu no jogo acho que não há muito o que ser dito. A exemplo do que aconteceu em alguns jogos do Barcelona (como aqueles contra o Bayern, em 2013) e em outros jogos da própria Espanha (como a estreia contra a Holanda), o tiki-taka acabou se mostrando ineficaz contra uma estratégia baseada na marcação e nos contra ataques em velocidade. 

Mas se o que vimos foi um filme repetido, esta pode ter sido a última vez em que ele esteve em cartaz. É bem possível que após as derrotas recentes sofridas com o tiki-taka o Barcelona e a Espanha acabem desistindo dessa maneira de jogar. Assim o fracasso de ontem pode ter significado não apenas o fim do ciclo de conquistas da Fúria, como também o fim da maneira de jogar proposta pelos atuais campeões mundiais.

Naturalmente a Espanha, tendo ou não chegado ao fim de seu ciclo, influenciará bastante na maneira de jogar futebol dos próximos anos, visto que certamente muitas equipes fortes vão utilizar elementos do tiki-taka em seu modo de jogo. É bem possível, aliás, que alguma nova maneira vitoriosa de jogar futebol derive deste estilo, assim como ele próprio foi originado a partir do futebol total holandês.  

Pode não ser provável, mas a Espanha até pode voltar a ser vitoriosa. O tiki-taka no entanto, precisa ser atualizado ou deixado de lado.

De qualquer forma, essa geração espanhola e o seu tiki-taka ficam na história. Se é verdade que a primeira muito possivelmente não voltará a levantar troféus da Eurocopa ou da Copa do Mundo,  também é fato que a Fúria dos últimos anos foi uma das seleções mais vitoriosas da história do futebol. Da mesma forma, se o famoso estilo de jogo da Fúria tem se mostrado ruim contra um sistema pautado no contra ataque rápido, muitas outras estratégias foram nulas contra ele nos últimos anos. 

Depois de falar tanto sobre o significado histórico que a partida de ontem pode ter tido, gostaria de dizer que o Chile jogou uma excelente partida, e que se mostra uma seleção muito forte. É bem possível que vençam também a Holanda, ou até mesmo o Brasil em um eventual confronto nas oitavas de final. A essa altura, sequer tenho certeza quanto a qual adversário prefiro que a nossa seleção enfrente na próxima etapa da Copa, embora continue com a impressão de que a Laranja Mecânica será um adversário mais problemático.

O Chile pode ser o adversário do Brasil nas oitavas, e, embora tenhamos bom retrospecto contra eles, seria um jogo difícil.

Apenas a título de nota, a Holanda teve dificuldades, mas venceu a Austrália e também pode ser a adversária do Brasil nas oitavas. Por agora ficamos por aqui. Mais tarde, Uruguai e Inglaterra jogarão partida decisiva no grupo D. Se quiser acompanhar nossa cobertura, clique AQUI para curtir nossa página no Facebook.


Postagens Relacionadas


1. Como dissemos, o tiki-taka é derivado do futebol total. Clique AQUI para ler sobre essa estratégia. Esse é um dos meus posts favoritos.

2. Acreditei na Espanha... E queimei a língua. Clique AQUI para me ver fazendo uma previsão furada.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Brasil Para em Ochoa

Os dias passam rápido em tempo de Copa, não é? O Brasil  já jogou pela segunda vez no torneio. Suponho que todos tenham assistido essa partida, razão pela qual pularei a etapa de resumo do jogo, me dedicando apenas a analisá-lo. De antemão, digo que achei que jogamos bem, mas o goleiro Ochoa impediu nossa vitória.

Imagino que muitos dos que estão lendo isso ficaram bastante chateados com o desempenho da seleção hoje, devido principalmente à falta de gols. Posto que  nossa atuação não foi excelente, e que o México em alguns momentos teve o controle da partida (notadamente no início do segundo tempo), acredito que nossa atuação, de forma geral, foi superior à de nossos rivais, sendo o diferencial a sólida atuação de nossa defesa.

Não digo isso apenas porque o Brasil não tomou gols, mas sim porque embora os nossos adversários contassem com jogadores talentosos na frente, eles não conseguiram envolver nossa defesa uma única vez. Comparando o desempenho desse setor com aquele observado na partida anterior, vemos uma grande evolução.

Alguns dos melhores momentos do jogo

Quanto ao setor ofensivo, diria que nossa seleção apresentou um desempenho normal no que diz respeito a criação de jogadas. Tivemos cinco boas chances de gol, quatro das quais foram defendidas por Ochoa (na outra, Jô finalizou para fora). Não é um desempenho brilhante, mas o número de oportunidades conseguidas também não foi ruim. Naturalmente isso não significa que a atuação individual de todos os nossos jogadores de frente foram boas. Neymar foi bem, e a maioria dos demais foi regular, mas diria que Fred conseguiu se destacar... Negativamente.

Brasil até criou chances, mas, como diz o título, parou em Ochoa

Sinceramente, o desempenho do Fred na partida de hoje foi inaceitável. Só não digo que ele assistiu ao jogo dentro de campo porque ele atrapalhou vários ataques nossos ficando impedido (aliás, como um jogador com a experiência que ele tem não consegue sair da linha de impedimento tantas vezes?) ou errando passes. Acredito que mexer na equipe titular pode ser perigoso, pois os jogadores podem sentir que o treinador não confia neles. No entanto, se o nosso camisa nove tiver mais uma atuação no nível da de hoje, será difícil pedir sua permanência no time titular, apesar de seus méritos anteriores.

Caso Fred deixasse o time titular, creio que o melhor seria a entrada de Willian, que alternaria com Oscar nas funções de ponta e meia armador. Nesse esquema, Neymar ficaria com o papel de "falso nove". Naturalmente, essa é uma opção que eu acredito que funcionaria bem, mas devemos respeitar a opinião de Felipão, afinal é ele que treina o time, e é qualificado para isso.

Ochoa defende chute de Paulinho. O volante, aliás, foi outro que ficou devendo nessa partida.

Apenas falando brevemente sobre os nosso adversários, o México também teve boa atuação. A defesa deles foi bem, embora não tanto quanto a nossa, sendo que o goleiro Ochoa teve atuação excelente. Já no campo ofensivo, nossos adversários, diante da boa armação defensiva de nossa seleção, tentaram os chutes de fora, e alguns foram perigosos, mas Júlio César esteve bem e defendeu todas as bolas que foram em sua direção.

Por agora é isso. O Brasil volta a campo dia 23, contra Camarões. Torçamos para uma vitória, de preferência com jogadores como Fred e Paulinho desencantando. Se você quiser acompanhar nossa cobertura da copa, clique AQUI e curta nossa página no facebook.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Messi, Cristiano Ronaldo e a Alemanha

Os jogos de hoje e domingo trouxeram a estreia de um trio que veio para o Brasil com grandes expectativas. Falo dos dois melhores jogadores do mundo, Messi e Cristiano Ronaldo, além da seleção alemã. Após falar brevemente sobre os jogos, tentarei fazer uma análise curta e objetiva.

Messi entrou em campo no domingo, em condições ideais para exibir seu futebol. O craque do Barcelona conta esse ano com um time mais forte e organizado do que era a Argentina de quatro anos atrás, e sua seleção tem três partidas teoricamente fáceis na fase de grupos. Ontem foi jogada a primeiro delas, e o segundo melhor jogador do mundo não decepcionou. Mas também não deu show. 

Com apenas dois minutos de jogo ele cobrou falta e Kolasinic desviou, marcando contra. Mas, no primeiro tempo, Messi e a Argentina pararam por aí, esbarrando na marcação da Bósnia. A seleção europeia ainda teve algumas chances de empatar, aos 13 e aos 40, mas em ambas as ocasiões o goleiro Romero apareceu bem, e a Albiceleste levou a vantagem para o vestiário.

O gol contra de Kolasinic

A Argentina voltaria para o segundo tempo com duas alterações. Híguaín e Gago entraram, e o primeiro participou decisivamente do jogo. Aos 20 minutos da etapa complementar, ele tabelou com Messi, que avançou através da defesa da Bósnia e mandou um chute indefensável, espantando o fantasma da falta de gols em Copas com um golaço.

Golaço de Messi, em sua jogada característica

O gol tranquilizou o jogo, e a Argentina passou a administrar a partida, tocando a bola com perigo, mas sem conseguir uma chance clara de gol. Aos 39 minutos, quando a Bósnia parecia estar entregue em campo, eles conseguiram um gol que ameaçou incendiar o jogo, com Ibisevic (não consegui um bom vídeo). Mas a seleção europeia não tinha mais forças para buscar o empate, e o placar terminou em 2 a 1 para a Albiceleste.

Embora apagado em alguns momentos, Messi estreou com golaço e vitória.

O jogo entre Portugal e Alemanha colocou frente a frente o melhor jogador do mundo e, possivelmente, a melhor seleção do mundo. Após a excelente temporada que o português fez no Real Madrid, e sua consagrante atuação contra a Suécia com a camisa lusitana, havia (e ainda há) muita expectativa de que Cristiano Ronaldo pudesse liderar sua seleção a uma grande campanha. No entanto não era o dia do gajo.

Já Cristiano Ronaldo acabou não tendo tanta sorte.

Era o dia de Thomas Müller. Após um início em que cada seleção teve sua chance de gol (Portugal com CR7, e a Alemanha com Khedira), Götze foi derrubado na área, e Müller abriu o placar, aos 12 minutos de jogo. A Alemanha ampliaria aos 32, em cabeçada do zagueiro Hummels, após escanteio.

Mas se as coisas já estavam difíceis para Portugal, ficariam ainda piores após Pepe agredir Müller, com uma cabeçada, e ser expulso. A Alemanha chegaria ao terceiro gol ainda no primeiro tempo, com o autor do primeiro gol marcando novamente.

No segundo tempo, com o jogo já decidido, a Alemanha "tirou o pé", enquanto Portugal tentou sua sorte. Cristiano Ronaldo foi que mais arriscou, chutando sete vezes, mas assustou apenas em uma cobrança de falta, já no final do jogo. Enquanto isso a Alemanha levava perigo nos contra ataques, e em um deles, aos 32 minutos, o camisa nove Schürle cruzou, o goleiro Rui Patrício não segurou, e Müller apareceu para marcar o terceiro dele no jogo, encerrando a goleada.

Gols do jogo entre Portugal e Alemanha. Clique AQUI para os melhores momentos.

O jogo entre Portugal e Alemanha mostrou três coisas, duas das quais são bem conhecidas. A primeira que a Alemanha é uma grande seleção, candidatíssima ao título. Junto com a Holanda foi o time mais convincente da primeira rodada. A outra é que diferente do que foi divulgado Cristiano Ronaldo não está, ainda, em seu melhor condicionamento físico, o que justifica, em parte, sua atuação apagada. Isso se deve a recente lesão que quase o tirou da estreia de Portugal.

Creio que CR7 vai se recuperar a tempo, e que ele será decisivo para a classificação de Portugal para as oitavas, quando Portugal provavelmente enfrentará a Bélgica, que estreia amanhã. No entanto, acho que a seleção do melhor do mundo não passará pelo time de Hazard, que, creio eu, será a grande "surpresa" do torneio, no sentido de ser uma seleção sem tradição, mas que deverá ir até as quartas, se não mais longe. Claro, uma vez jogando contra os diabos vermelhos, os lusitanos terão chances razoáveis de vencer, mas eu acho a seleção belga mais time. 

Enquanto isso a Alemanha deve passar sem problemas no grupo, sendo isso quase uma certeza. Se a Bélgica cumprir seu papel de cabeça de chave, o que é razoavelmente provável, terão um adversário tranquilo para as oitavas. Estarei na torcida para que Klose não seja utilizado e não quebre o recorde de Ronaldo. 

Algo inusitado é que enquanto o atacante da Lazio pode superar a marca do brasileiro nessa Copa, Müller, com apenas 24 anos já está a 7 gols de alcançar o fenômeno nos gols em mundiais, tendo boa chance de fazê-lo no futuro. A excelente média de Müller em copas (1 gol por jogo), é bastante curiosa, contrastando com sua média por clubes (0,4) e pela seleção alemã em outras partidas (0,29). Deixo bem claro que o considero um excelente jogador, mas, tendo acompanhado seus jogos nos últimos anos eu não poderia deixar de ficar surpreso com seu desempenho em Copas, que vem sendo ainda melhor do que o esperado.

Muller é o artilheiro dessa Copa, e pode passar marca de Ronaldo no futuro.

A Argentina tem um grupo tranquilo, deverá passar em primeiro, com Messi devendo fazer mais gols e ir ganhando cada vez mais confiança na competição. O time Albiceleste é forte, contando com nomes como Agüero e Dí Maria, além de Messi. Se com essa equipe o craque do Barça jogar tudo o que sabe, sua seleção passa a ter a possibilidade de bater qualquer outra, tornando-se séria candidata ao título.

Messi já se livrou da pressão de marcar gols. Deverá ficar mais a vontade em campo. Assim sendo, onde ele irá parar?


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domingo, 15 de junho de 2014

Grupo D, o Grupo da Morte

O grupo D era, e continua sendo, considerado o grupo da morte, já que conta com três seleções que já foram campeãs do mundo, além da Costa Rica. Ontem tivemos a primeira rodada dessa chave.

A primeira rodada seria tranquila para o Uruguai, já que eles jogaria o adversário mais fraco do grupo, enquanto Itália e Inglaterra enfrentariam. Só que faltou combinar com a Costa Rica... Quando a bola rolou, uma Celeste apática foi dominada pelos seus adversários, que saíram com um merecido 3 a 1, de virada. No outro grande jogo do dia a Itália mostrou sua força, ao bater a Inglaterra por 2 a 1. Focaremos nosso post de hoje nessas partidas. Para organizar melhor, nosso texto será dividido em partes.

1. Costa Rica x Uruguai


 Desde o início os costarriquenhos mostraram que a Celeste não teria moleza, mas aos poucos o Uruguai foi se soltando e aos 15 minutos chegou ao gol com Godín, mas a arbitragem anulou corretamente (havia impedimento no lance).  Minutos depois nova chance para os bicampeões mundiais, mas Cavani errou o alvo. O atacante do Paris Saint German se redimiria em seguida, convertendo um penalti sofrido por Lugano, aos 22 minutos.

Cavani abre o placar para o Uruguai

Mas, ao invés de tomar controle do jogo, o Uruguai parou por aí. Foi a equipe costarriquenha que passou a ameaçar. Aos 26 Campbell obrigou Muslera a trabalhar, e aos 42, quase veio o empate em cobrança de escanteio. Pouco depois Forlán esteve perto de ampliar, em um raro ataque Celeste.

O segundo tempo começou bastante disputado, e a Costa Rica se aproximava do empate. Ele quase veio quando Bolaños cobrou falta e Duarte cabeceou, mas Muslera defendeu. Aos nove minutos, Gamboa fez novo cruzamento e a defesa Celeste falhou, deixando Campbell sozinho: o atacante dominou e soltou um bomba, marcando um golaço.

Golaço de Campbell

A Costa Rica se empolgou, e continuou indo para cima, e apenas dois minutos depois, em uma jogada quase repetida, Bolaños cobrou falta e Duarte cabeceou, dessa vez sem chances para Muslera. Aqui, é preciso fazer uma menção ao fato de o zagueiro estar em impedimento na hora da cobrança, mas foi um lance tão difícil que nem os uruguaios reclamaram.

Belo gol da Costa Rica

Após estar em desvantagem o Uruguai finalmente tentou pressionar, mas não conseguiu criar muitas chances de gol, nem mesmo com as substituições promovidas por Óscar Tabárez. Uma cabeçada de Cavani, aos 25, seria o mais próximo do empate que a Celeste chegaria. Aos 41 minutos aconteceria o impensável: Campbell, o nome do jogo, deu passe espetacular para Ureña, que mal havia entrado, e ele tocou com categoria na saída de Muslera, dando números finais ao jogo. Costa Rica 3, Uruguai 1.

Não consegui um vídeo só com o terceiro gol, esse tem todos os gols do jogo

2. Itália x Inglaterra


Muito se falou sobre como o calor de Manaus poderia atrapalhar Itália e Inglaterra. De fato, na hora do jogo os termômetros marcavam 30ºC, mas isso não impediu que uma grande partida fosse jogada.

O English Team começou melhor, aproveitando a fragilidade, quem diria, da zaga italiana. Por três vezes os ingleses estiveram perto do gol, duas vezes em chutes de fora da área e outra após perigoso cruzamento de Sterling. Mas foi a Azurra que abriu o placar. Aos 35 minutos, após cobrança de escanteio, Pirlo fez um corta luz sensacional, deixando a bola passar para Marchisio, que chutou no cantinho, marcando um belo gol.

A Inglaterra respondeu dois minutos depois. Rooney fez belo cruzamento e deixou Sturridge na cara do gol. O centroavante inglês apenas completou para as redes. O jogo seguiu movimentado, e no final do primeiro tempo a Azurra pressionou. Pirlo deu excelente passe para Balotelli, que tirou o goleiro, mas ficou sem ângulo. Mesmo assim o camisa 9 italiano finalizou, e quase fez um golaço, mas a zaga inglesa tirou em cima da linha. Na sequencia, Candreva recebeu na área, e acertou a trave.

Balotelli quase fez um golaço

O segundo tempo começou igualmente movimentado. A Inglaterra ameaçou com Sturridge, que chutou perigosamente, de fora da área, mas Sirigu, reserva do lesionado Buffon, defendeu. Na sequência Candreva fez um cruzamento preciso, e Balotelli cabeceou para o gol.

Após isso o jogo virou praticamente uma partida de ataque contra defesa. A Inglaterra tentou alguns chutes de fora da área, com Rooney e Sturridge, mas o primeiro foi defendido por Sirigu e o segundo raspou a trave. A melhor chance inglesa viria aos 17 minutos: Rooney recebeu dentro da área, cortou a marcação e chutou, mas a bola foi, por pouco para fora.

A partir daí as duas equipes começaram a dar sinais de cansaço, e a criação de jogadas ficava difícil, com alguns erros em passes e cruzamentos. As melhores chances vieram na bola parada. A Inglaterra chegou perto em faltas de Baines e Gerrard, mas a Itália, quase no fim do jogo, respondeu com uma cobrança incrível de Pirlo, que acertou a trave.

Os gols do belo jogo entre Itália e Inglaterra

3. Perspectivas do grupo da morte


Mesmo após a vitória de ontem e com a liderança (no saldo de gols), a Costa Rica continua sendo vista pela maioria como a seleção mais fraca do grupo. De fato, ainda creio que eles continuam sendo o time com menos chance de classificação. Eles tem uma bola aérea forte, disposição e um grande atacante, Campbell, mas no geral, acho que eles há uma certa diferença técnica entre eles e as demais seleções da chave.

O Uruguai, após a derrota de ontem ficou com a corda no pescoço, precisa ganhar da Inglaterra para seguir vivo na competição. Se pensarmos que ano passado, na Copa das Confederações, eles conseguiram um empate contra a Itália, e que terão a volta de Luiz Suárez neste jogo, eles têm chances razoáveis de vitória. De fato, posso "queimar a língua", mas acho que a Celeste vai jogar com sua tradicional raça e vencerá o English team, e terminará passando da fase de grupos. Todavia, por ter um time envelhecido e, em alguns setores limitado, não acho que eles irão muito longe no torneio.

A Inglaterra jogou bem contra a Itália, e tem grandes chances de vencer o Uruguai. Analisando apenas as escalações das duas equipes e suas performances, diria que o English team é favorito no jogo decisivo do dia 19. Mesmo assim, tenho o pressentimento, ou opinião arbitrária, que eles não vencerão a Celeste, sendo portanto eliminados na primeira fase.

A Itália, fugindo um pouco às suas tradições, demonstrou fragilidade defensiva tanto ontem quanto nos últimos amistosos antes da Copa. No entanto a seleção de Prandelli tem um meio campo bastante qualificado e conta com Balotelli no ataque, razão pela qual creio que esta seja a seleção mais forte deste grupo. Com a vitória de ontem, deve passar da primeira fase, e, se conseguir reparar suas falhas defensivas (o que é perfeitamente possível), será uma seleção muito difícil de ser batida, podendo brigar pelo título.

Por agora isso é tudo. Abaixo o vídeo da cobrança de falta magistral do Pirlo, que acabou acertando a trave. Se quiser seguir a nossa cobertura da Copa, clique AQUI para curtir a nossa página no facebook.

Falta brilhante de Pirlo.

Postagem Relacionada

Acredito na Celeste de modo um tanto arbitrário. Já de forma mais racional, acredito na Fúria. Clique AQUI e veja as razões.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ainda Fúria. E Candidata ao Título.

Foi um início atípico de jogo. A Espanha não conseguia encaixar seu estilo de toque, e, aos 7 minutos, Sneijder quase abriu o placar para a Holanda. Mas as coisas foram se normalizando aos poucos e a Fúria passou a controlar o meio campo, aumentar sua posse de bola e finalmente a chance de gol apareceu, quando Diego Costa foi derrubado na área e Xabi Alonso abriu o placar. Mas como dizia Drumond, "Bem aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol", afinal, mal sabíamos nós que aquele era o princípio de um massacre... Laranja, ou melhor, azul.

Minutos depois, Van Persie empatou o jogo, e, na segunda etapa incríveis 4 bolas foram parar no fundo da rede de Casillas. Ainda mais surpreendente foi a maneira como a Holanda criou não só as jogadas dos gols, mas também outras chances, que poderiam ter deixado o placar ainda mais elástico. É, o grande jogo do dia nos deu muitos assuntos para escrever.

Chocolate da Holanda, e muito golaços.

Imagino que estejamos todos um pouco "eufóricos" após ver a Espanha ser derrotada de forma tão acachapante, mas deixando a empolgação de lado a primeira coisa que eu gostaria de dizer é que meu respeito pelo time da Espanha não diminui em nada depois dessa partida. Ok, diminuiu um pouco, mas não muito.

Não achava que a Fúria estivesse chegando com uma equipe muito acima das demais, nem que fosse a grande favorita ao título. A performance da Espanha na Copa das Confederações ano passado já havia mostrado que eles eram "vencíveis", o que foi evidente tanto contra o Brasil quanto contra a Itália. Ambas as partidas citadas também mostraram que para vencer os campeões mundiais o que era necessário era encará-los de igual para igual, sem enxergá-los como um super time.

Tudo isso ficou evidente mais uma vez ontem. Enquanto a partida estava 0 a 0, a Holanda estava fechada, respeitando a Espanha, e a Fúria era melhor. Apenas quando se viu em desvantagem no placar o time de Robben, Sneijder e Van Persie saiu para o jogo, e, quando fez isso, foi muito superior em campo. Outro ponto notável ontem é que, ao que parece, o preparo físico dos atuais campeões mundiais não está tão bom assim, porque a Laranja Mecânica, hoje de azul, também se mostrou muito superior nesse aspecto.

Entretanto, essa derrota não significa que a Espanha deixou de ser um grande time, ou que não possa ganhar a Copa. O preparo físico parece estar ruim, o moral da equipe também deve estar baixo, mas tudo isso pode mudar no decorrer do torneio, e um insucesso como esse pode acabar sendo a motivação que a Fúria precisa para mais uma vez mostrar o seu melhor futebol. E se alguém achar que quem começa uma Mundial desse jeito não tem chances, digo que a Alemanha, em 54, perdeu na fase de grupos para a Hungria, por 8 a 3, e acabou vencendo esse mesmo time na final.

É Casillas, não foi seu dia...

Mas, se a Espanha quiser novamente levantar a taça de campeã da Copa do Mundo vai precisar reencontrar o bom futebol rapidamente. Diferentemente da Argentina eles caíram em um grupo difícil, e agora há dois cenários razoavelmente prováveis em que a Fúria não se classifica para as oitavas de final:

1. Holanda, Espanha e Chile vencem a Austrália, Chile e Espanha empatam, e a Holanda vence o Chile. Com essa combinação a Holanda provavelmente passaria ao lado do Chile, devido ao saldo de gols ruim da Fúria.
2. A Austrália perde todos os seus jogos, a Espanha vence o Chile, e o Chile ganha da Holanda. Novamente a Fúria ficaria fora (provavelmente), devido ao saldo de gols.

Para finalizar sobre os atuais campeões do mundo, digo que a Espanha era um grande time antes desse jogo, do mesmo patamar de outros que estão disputando o torneio, e assim permanece.

Falemos agora da Holanda. A Laranja Mecânica jogou uma partida absolutamente fantástica, sendo superior desde o momento em que fez o gol. É verdade que David Silva quase marcou 2 a 0 para a Espanha, mas foi um lance isolado. No entanto, a excelente atuação de ontem não significa que eles vão trucidar todos os seus adversários. O que ela demonstra é que eles são fortes candidatos ao título.

Naturalmente essa forte seleção pode nos brindar com um excelente futebol em suas próximas partidas, talvez com goleadas até maiores, quem sabe, mas não podemos afirmar isso tomando como base apenas o jogo de ontem.  Antes de finalizar apenas passando rapidamente pelos outros jogos, o Chile venceu a Austrália, por 3 a 1, complicando ainda mais a vida da Espanha e o México venceu Camarões por 1 a 0.

Foi o do Van Persie...


Por agora é só. Se você gostou do post de hoje e quiser acompanhar a sequência da nossa cobertura da Copa do Mundo, clique AQUI e curta nossa página no facebook.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Começou a Copa!

Imagino que todos lendo isso tenham visto o jogo inaugural da Copa entre Brasil e Croácia. É neste jogo que nos focaremos nessa "volta às postagens". Em linhas gerais foi um bom jogo, bastante disputado, com as duas equipes se esforçando ao máximo (como tinha que ser, afinal). Vamos dividir nosso post em duas partes.

1. O Jogo

O Brasil começou um pouco tenso, com a pressão da estreia, do favoritismo na partida e de jogar em casa, e a Croácia começou assustando, com uma cabeçada de Olic. Quando o Brasil começava a tentar acalmar o jogo, o mesmo Olic cruzou e Marcelo acabou desviando contra a nossa meta. O lateral teve de fazer o seu melhor para segurar as lágrimas. 

O gol contra marcado por Marcelo

Após o gol o Brasil partiu para cima, e as chances começaram a aparecer, sempre com a participação de Oscar. Primeiro o meio-campista acertou bom passe para Paulinho, que se livrou da marcação e chutou para a defesa do goleiro Pletikosa. Na sequência o jogador do Chelsea pegou o rebote de uma jogada que ele próprio havia iniciado (com o lançamento para Neymar) e chutou de primeira, para nova defesa de Pletikosa. 

Finalmente, Oscar foi desarmado no meio campo, mas não desistiu do lance, pelo contrário, recuperou a bola e tocou para Neymar, que escapou da marcação e chutou no cantinho, para anotar um belo gol. Na sequência o jogo se manteve morno até o intervalo. 

O primeiro gol de Neymar, um belo gol.

Na segunda metade a Croácia entrou bastante fechada (aliás, assim estava desde o gol contra) e o Brasil tinha dificuldades para criar chances. A bem da verdade, até 24 minutos, só tínhamos assustado em uma cobrança de falta de Daniel Alves. Foi quando Fred foi derrubado na área... Ou não. O camisa nove da seleção recebeu de Oscar dentro da área e se atirou em uma tentativa "tosca" de cavar um penalti. O juiz foi na dele e marcou.  Neymar cobrou e fez o gol da virada.

O gol da virada do Brasil

Em desvantagem no placar a Croácia saiu em busca do empate, e conseguiu um gol, anulado pela arbitragem, que alegou falta em Júlio César. Nossos adversários continuaram tentando empatar, e chegaram perto em chute de Modric, bem defendido pelo nosso goleiro. Júlio acabou não indo tão bem na bola seguinte, rebatendo para o meio da área, mas nossa defesa conseguiu neutralizar o rebote. Na sequência do lance a bola chegou até Oscar, que deu uma bela arrancada e coroou sua atuação com um belo gol, marcado de bico, dando números finais ao jogo. 

O gol marcado por Oscar

Após essa breve descrição do jogo vamos à algumas análises. Primeiramente eu gostaria de dizer que, embora tenha sido boa, diria até muito boa, nossa estreia não foi perfeita. 

2. Análises

Defensivamente nossos laterais deixaram a desejar, em particular Daniel Alves estava dando muito espaço para Olic (inclusive no lance do gol), e Marcelo acabou marcando um gol contra. Já no campo de ataque penso que em alguns momentos faltou criatividade para a nossa seleção e que o Paulinho poderia ter aparecido mais no jogo. Além disso o Fred foi praticamente nulo em campo e o Hulk, embora tenha se esforçado foi pouco produtivo. Outro ponto que merece nossa preocupação é a maneira como a Croácia conseguiu controlar o meio campo por alguns minutos, após estar em desvantagem. 

Sim, houve vários ponto negativos na seleção, mas por outro lado há de se comemorar que:
- Conseguimos vencer, ganhando os três pontos e encaminhando a classificação.
- Nossa seleção demonstrou poder de reação.
- O Brasil jogou com muita raça.
- Neymar ultrapassou Messi no número de gols em Copas conseguiu  fazer gols e ganhou confiança para a sequência do torneio.
- Oscar, o melhor jogador da partida, voltou a jogar um grande futebol na seleção, e ele deverá ser importantíssimo nos próximos jogos.

Acho que por hoje é tudo. Vamos acompanhar a sequência da Copa e estar sempre escrevendo sobre os jogos do Brasil, faremos alguns comentários gerais e talvez faça algum post sobre outro jogo. Se você quiser seguir acompanhando, clique AQUI para curtir nossa página no facebook.

Vamos Brasil!!! Rumo ao Hexa!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Michael Laudrup, o Mago Dinamarquês

Faz um bom tempo que eu não posto nada. Queria pedir desculpas pela falta de postagens, não está fácil achar tempo para escrever. Garanto que nunca tive a intenção de abandonar o blog, mas estava difícil arrumar tempo para escrever.

"Apenas corra, ele vai encontrar um jeito de passar para você". Essa orientação dada por companheiros de time de Laudrup a outro jogador que chegasse a equipe mostra qual era o nível de habilidade desse meio campista quando o assunto são passes. Sinceramente não consigo pensar em ninguém melhor do que ele nesse fundamento.

 Michael Laudrup era um meia tão técnico, com uma visão de jogo e precisão de passe tão elevadas, que seus lançamentos e assistências fazem Iniesta e Xavi parecerem amadores. Não só isso, era incrivelmente habilidoso e finalizava bem, sobretudo de fora da área, um jogador mais do que incrível. Assistam os vídeo abaixo e vejam se eu tenho ou não razão.

Compilação geral de Laudrup. "Michael foi o maior jogador dos anos 90", Beckenbauer. 

Compilação de 11 minutos focando os passes de Laudrup. Deixar os companheiros na cara do gol era realmente o que ele fazia melhor.

Se alguém ainda estiver em dúvida do quão espetacular Laudrup era como passador (possivelmente nisso foi o melhor da história no fundamento), este vídeo de 84 minutos está aí para acabar com qualquer incerteza.

Michael Laudrup iniciou sua carreira no KB, da Dinamarca, em 1981. Na temporada seguinte se transferiu para o Brondby FC, clube no qual seu pai havia encerrado a carreira. Nesta equipe, começa a dar mais mostras de seu potencial, ficando em terceiro na tabela de artilharia e faturando o prêmio de jogador dinamarquês do ano, em 1982. Com esse nível de atuação, naturalmente chamou a atenção de gigantes do futebol europeu e em 1983 se transferiu para a Juventus. 

Transferindo-se para a equipe italiana, à época uma das mais fortes do mundo, as expectativas eram de que a carreira de Laudrup deslanchasse, mas os eventos não transcorreram conforme o esperado. Em função de as regras da época limitarem a dois o número de estrangeiros por equipe, e de a Juventus já contar com o francês Platini e o polonês Boniek, o dinamarquês foi emprestado à Lazio (que havia subido à primeira divisão no ano anterior). Após duas temporadas com boas atuações, volta a equipe de Turim, que agora já não mais contava com Boniek. 

Na Juventus forma uma dupla incrível com Platini, levando o time a mais um título italiano e à conquista da Copa Intercontinental na temporada 85-86. Após isso, os dois craques estrangeiros da equipe de Turim tiveram diversos problemas com lesões, levando à equipe a ficar sem títulos na temporada seguinte. O mesmo se repetiria nos anos seguintes, com a saída de Platini e a queda de produção de Laudrup. Em 1989, já com 25 anos, o dinamarquês se transfere ao Barcelona.

Nesse momento você, que possivelmente nunca ouviu falar sobre Laudrup e está lendo essa postagem deve estar desapontado. Sim, porque até os 25 anos tudo o que ele teve em termos de títulos foram um Italiano e um Intercontinental, e ainda poderia se dizer que ele só alcançou essas conquistas "na aba" de Platini. Também não tinha tido uma grande premiação individual. Havia feito lances bonitos, mas ao que parece não era tão bom assim, não é? 

Não, não é. Realmente se trata de um craque fora de série, o tipo de jogador acima da média até em comparação a outros craques, mas que ainda não tinha demonstrado quase nada de seu potencial. Os anos seguintes provariam isso. 

No Barcelona Laudrup faria parte da equipe comanda pelo seu ídolo de infância, Cruyff. O clube catalão à época havia vencido apenas um espanhol nas últimas 15 temporadas, e, por isso mesmo, tinha sede de títulos. O holandês montaria um time forte, e logo na temporada 89/90 viriam duas conquistas: a Copa do Rei e a extinta Winner's Cup.

Na sequência o Barcelona contrataria um importante reforço, o Búlgaro Hristo Stoichkov, fortificando ainda mais seu time. Com isso teriam um grande sucesso nos anos seguintes, vencendo o Espanhol nas temporadas 90-91 e 91-92, nesta última ganhando também a Champions League. Nesse ponto da carreira Laudrup era claramente o melhor jogador do barça, que era, ao lado do Milan, o mais forte time da época. Teria então tudo para ganhar a Bola de Ouro.

Mas faltava algo: muitas vezes Laudrup ficava devendo com a seleção dinamarquesa, que, embora contasse com ele, o goleiro Schmeichel e seu irmão, Brian, não havia sequer se qualificado para a Euro 92 (Michael e seu irmão não jogaram os 3 últimos jogos da classificação para o torneio, por problemas pessoais com o treinador). No entanto os dinamarqueses acabaram ingressando na competição depois que Iugoslávia perdeu sua vaga devido à guerra civil no país. Laudrup, no entanto, achou que as chances de sua seleção no torneio eram tão baixas que ele preferiu tirar férias a participar do certame.

Certamente ele se arrependeu dessa decisão, pois sua seleção, que realmente tinha alguns bons jogadores chegou à semifinal contra a então campeã Holanda, o que daria a ele uma boa oportunidade de mostrar suas habilidades em um duelo com Van Basten. Porém as surpresas estariam apenas começando: a partida terminou empada em 2 a 2, e, nos pênaltis a Dinamarca passou. 

Na final mais uma surpresa: 2 a 0 para cima da campeã mundial Alemanha, e Laudrup havia perdido a oportunidade de ganhar tanto a Bola de Ouro quanto o recém criado prêmio de Melhor do Mundo da FIFA. Embora muitos considerem, inclusive eu, que nesse momento ele era o melhor jogador do planeta, o dinamarquês não ganharia nenhuma das premiações, perdendo ambas para Van Basten.

Laudrup manteria o alto nível de atuação, e o Barcelona venceria mais um Campeonato Espanhol, o terceiro em série. Todavia uma grande mudança aconteceu na temporada seguinte: o clube catalão contratou Romário, um quarto estrangeiro, e, como as regras da UEFA permitiam que uma equipe jogasse com apenas três atletas de outro país, os quatro teriam de se revezar. 

Apesar disso a temporada 93-94 foi bastante positiva para o barça, que venceu mais um Campeonato Espanhol, com direito a um sonoro 5 a 0 no Real Madrid e se classificou para a final da Champions. Todavia Laudrup se desentende com Cruyff e este resolve não colocá-lo na final: o resultado foi um 4 a 0 para o Milan. O treinador da equipe italiana, Fábio Capello, diria: "O cara de quem eu tinha medo era o Laudrup, mas Cruyff decidiu deixá-lo fora e esse foi seu erro." 


Laudrup em ação no 5 a 0 contra o Real. Sinceramente, não estava muito inspirado, mas assim mesmo fez um assistência.

Após esse jogo o tempo de Laudrup no Barcelona chegou ao fim, pois ele se transferiu para o Real Madrid. Na nova equipe, o dinamarquês mais uma vez mostra seu altíssimo nível: o Real quebra a série de títulos espanhóis do Barcelona e devolve o 5 a 0 da temporada anterior ao rival. Após esse jogo, Cruyff diria: "Quando Michael joga como um sonho, uma ilusão mágica, determinado a mostrar ao seu novo time suas habilidades extremas, ninguém no mundo chega perto do seu nível." Após essa conquista Laudrup se tornou o único futebolista a vencer o campeonato espanhol cinco vezes seguidas por times diferentes.


E aqui Laudrup no 5 a 0 contra o Real Madrid

Ainda no ano de 1995, Laudrup lideraria a Dinamarca a mais uma conquista, a Copa das Confederações. Michael deixaria o dele na final, contra a Argentina. Apesar de ser o principal jogador do Campeão Espanhol e da seleção campeã da Copa das Confederações, Laudrup não chegaria nem perto de vencer a Bola de Ouro ou o prêmio de Melhor do Mundo.  

Algo curioso nessas premiações é que Zamorano, do Real Madrid, ficou a frente de Michael no prêmio da FIFA, sendo que 82% de seus gols naquele ano vieram de assistências do Dinamarquês, e, antes de sua chegada, a média do chileno no espanhol mal passava de 0,3 por jogo. 


Os gols da vitória da Dinamarca contra a Argentina

Em 1996 Laudrup deixa o Real Madrid, passando a jogar por clubes de menor expressão, até que em 1998, vai para o Ajax, vencendo o Campeonato Holandês. Ainda naquele ano, Laudrup seria o capitão da Dinamarca na Copa do Mundo, fazendo uma grande exibição e chegando à seleção do torneio (apesar de sua idade e de sua seleção ser eliminada nas quartas de final). Após isso, o craque se aposentou.

Sinceramente acho um absurdo que sua carreira acabou sem uma Bola de Ouro ou um prêmio de melhor do mundo. Para mim Laudrup pode ser comparado a Zidane, inclusive marcou mais gols que o francês em menos jogos, tanto por seleção quanto por clubes, e tem mais assistências também, mas não afirmo que ele foi melhor, porque afinal futebol não se resume a números. Digo apenas que são dois jogadores comparáveis.

Se as premiações como a Bola de Ouro e o Melhor do Mundo da FIFA não deram tanta importância a Laudrup, após sua aposentadoria, receberia muito reconhecimento por parte de jogadores, comentaristas e técnicos. Abaixo deixo algumas citações sobre esse craque.

Romário: Ele é o melhor com quem eu joguei, e o quinto melhor da história do jogo. (Depois Romário diria que Ronaldo foi o melhor com quem ele jogou).

Iniesta: O melhor jogador da história? Laudrup. (Aliás, vemos semelhanças no estilo de jogo de Iniesta e Laudrup).

Beckenbauer: Pelé foi o melhor nos anos 60, Cruyff nos 70, Maradona nos 80 e Laudrup nos 90.

Guardiola: O melhor jogador do mundo. Não acredito que ele não ganhou um prêmio de melhor do mundo.


Um monstro, um dos jogadores que mais me impressionou em todas as minhas pesquisas. Acessando o canal neste LINK, você pode encontrar mais vídeos deste craque.


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